quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Palavras ditas.

Olá,

se lembra de mim? Sou eu. Eu mesmo. Aquele que você conhece bem. Ou conhecia. Aquele com quem você contou por muitas vezes, chorou, riu, irritou-se, tentou esquecer e não conseguiu.

Lembrou? Legal. É, sou eu mesmo. Estou bem, caso esteja perguntando. Mas não completamente. Digo que estou bem porque não estou doente, nem desempregado, nem nada disso. Porém, estou com uma sensação ruim, dentro de mim. Algo faltando, parece. Uma peça importante para toda a minha dinâmica de vida.

E adivinha? Essa peça é você.

Eu sei que tentamos conversar. Eu sei que eu falei muitas coisas ruins (e ouvi também). Descobrimos que podemos ser cruéis com quem gostamos e nos importamos. Descobrimos que palavras ferem e podem deixar cicatrizes para o resto da vida. Assim, desistimos de palavras ditas. Você caminhou para o outro lado da ponte, e eu segui em frente. Fácil assim. Deixamos de tentar. Desistimos um do outro. Facilitamos nossas vidas, esquecendo o que passamos e o que somos. Menos mágoas. Menos irritação. Pensamos que assim seria melhor e que seríamos mais felizes.

Será? Será que somos felizes mesmo? Será nos afastando, cortando amizade, nós atingimos o que consideramos "felicidade"?

Não sei você, mas eu acho que não. Não sou mais feliz sem você. Sem suas chatices. Sem sua presença. Sem sua opinião, sua idéia, sua unicidade. Você é irritante, mas prefiro suportá-la a não tê-la de forma nenhuma. Brigamos, nos ofendemos, mas foi as formas que mais cresci como pessoa. Sendo elas excessivas ou não, não as trocaria por nada. São apenas provas que nós nos importamos com o que o outro diz, faz ou pensa. Somos apenas sortudos por nos sentirmos assim.

Entende? Estou falando de conformismo. De comodismo. Cansamos, como qualquer ser humano, de uma determinada situação por pura falta de coragem de mudar. De realmente olharmos para o que interessa e nos focar nisso. Eu erro, você erra, somos diferentes, mas temos os que nos mantinha unidos e poderosamente defensores do que sentíamos um pelo outro.

Assim, escrevo essa carta, a primeira de muitas, como primeiro passo. Conversa está fora de cogitação, por hora. Atualmente, somos péssimos nisso. Vamos voltar a uma época onde as palavras ditas eram as escritas - com toda a sua beleza sincera. Quem sabe, a nossa ponte precisa desse tipo de reforço.

Se concordar, peço que me responda da mesma forma. Por carta. Coloque-a sempre no velho vaso do balcão da cozinha. Verificarei e esperarei por uma resposta sua, sempre.

Não me deixe esperando por muito tempo. Sabe como sou ansioso, né?

Sinto sua falta, Fi
.



[Trecho de "Somente cartas de amor" - Rebeca Bondioli]

7 comentários:

  1. vc deveria viver pra escrever rebi...
    ao menos um sinal de vida
    <3

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  2. obrigada por postar isso pra mim, Jim.

    E obrigada pela preocupação. Mas sou bem mais forte do que eu pensava e posso superar tudo.

    :3

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  3. escreva Bess, sempre :) é sua sina!

    e melhoras!
    bjão.

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  4. Parece que aconteceu alguma coisa com você. o.o
    Alguma coisa que não deve ter relação com o texto.

    Enfim, melhoras.

    A propósito, o texto é excelente. ^^

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  5. Isso é um livro seu? Se for onde eu acho?

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  6. Como sempre, perfeito *---*
    dá até raiva. me empolgo lendo a postagem e não poder ler o resto do livro ..bem, é uma tortura.
    post o livro todo se puder *--*

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  7. Incrível como seus textos sempre contém algo que já passou pela minha cabeça, mas nunca transformei em palavras.

    Fico feliz que passo aqui pra ler suas aventuras de vez em quando. :]

    Preguiça de escrever nome! ;D

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